Reacções

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A Arte de Pensar: 10.° ano, Vol. 1

Um manual diferente e inovador

O A Arte de Pensar (AdP) chega às nossas mãos, professores e alunos, como uma clara revolução na forma como se concebem e escrevem manuais escolares. Tantas vezes ouvimos falar em excelência na educação com reformas afins, sem que se vejam resultados práticos dignos de registo. Talvez isto aconteça porque se pretende implementar reformas no sistema educativo, sem que essas reformas impliquem esforço, trabalho ou novas orientações e modelos didácticos. E assim andamos numa ilusão de mudança contrariada pelos maus resultados obtidos junto dos nossos congéneres europeus.

O AdP é a prova de que a mudança no sistema educativo e a viragem nos nossos maus resultados passa inevitavelmente por fazer bons programas e melhores manuais. Se a preocupação é a de que os nossos alunos aprendam com gosto e rigor, é nos conteúdos do que lhes queremos ensinar que devemos começar por mexer. E mexer bem para não andar sempre a mexer!

Por vezes passa-se a ideia de que exigência é ensinar conteúdos muito difíceis. Mas o critério da exigência está ligado ao didáctico. O AdP é um manual exigente porque é cientificamente acertado, rigoroso e actual, propondo nomes e problemas da investigação filosófica que se faz hoje em dia. Mas não se pense que o AdP expõe o que os outros pensaram de modo historicista e nada mais. Pelo contrário, o AdP é um laboratório vivo de filosofia. Por ele e com ele, o aluno aprende a pensar porque é sistematicamente confrontado com as teorias e problemas da filosofia. Não é de estranhar que um manual desta natureza acabe por criar algumas resistências iniciais. Ele é claramente inovador do ponto de vista didáctico e ainda não possui qualquer concorrente directo, ainda que outros já se aproximem deste modelo, mas ainda muito entre a "velha guarda" e a "nova vaga". Na verdade a maior novidade no AdP é que, com ele, ensinamos de facto os nossos alunos a pensar. Depois, porque o manual é muito pragmático em todos os sentidos, bem escrito e filosoficamente rico, eliminando as arbitrariedades e incoerências habituais, além de que, a concepção gráfica (da responsabilidade dos autores) é uma lição final para quem faz manuais. As imagens são adequadas e pertinentes e está longe do folclore a que as editoras nos vem habituando nos últimos anos. O AdP é intuitivamente compreensível em todos os sentidos. Se o rosto é a expressão da alma, no caso, é-o mesmo, ele é leve, fácil de transportar e está lá tudo o que o estudante jovem de filosofia necessita para um bom estudo nas aulas. Além do mais, o AdP respeita a tradição filosófica.

Claro está que para apreciar em definitivo as potencialidades de um manual é necessário experimentá-lo em sala de aula. Com efeito, quando li pela primeira vez o AdP percebi que é uma novidade na forma como se concebe um manual de filosofia e tanta resistência só acontece porque é preciso tempo e esforço para que o professor se aperceba das potencialidades curriculares do AdP.

Claro está que o AdP deve possuir as suas limitações (que eu não encontro com facilidade), mas é inegável a sua forma inovadora para o ensino da filosofia. Penso até que pode ser exemplo para outras disciplinas.

Um pequeno exemplo. No capítulo 4 do Arte 11, "Estrutura do Acto de Conhecer", para explicar a constituição de crença no conhecimento, encontramos (p. 97):

Imagine-se que a professora de matemática do João lhe perguntava qual a raiz quadrada de quatro. Imagine-se que ele achava que era dois, mas não tinha a certeza. Será que ele sabia qual é a raiz quadrada de quatro ou será que apenas teve sorte ao acertar na resposta? Para haver conhecimento uma pessoa não pode apenas ter sorte em acreditar no que é efectivamente verdade; tem de haver algo mais que distinga conhecimento da mera crença verdadeira. Para haver conhecimento, aquilo em que acreditamos tem de ser verdade, mas podemos acreditar em coisas verdadeiras sem saber realmente que são verdadeiras. Portanto, nem todas as crenças verdadeiras são conhecimento. Por outras palavras:

A crença verdadeira não é suficiente para o conhecimento.

Antes desta explicação, os autores do manual escreveram um pequeno diálogo onde o problema é apresentado para, no final, incluir o texto de Platão onde o problema do conhecimento como crença verdadeira justificada é apresentado, e finalizar ainda com a contra-argumentação de Gettier. E o AdP está cheio desta felicidade que é aprender filosofia com rigor, método, numa linguagem clara, sem o terror verbal que por vezes é cultivado na filosofia. Só lamento uma coisa: não poder voltar a ser aluno para começar a dar os meus primeiros passos na filosofia com o A Arte de Pensar.

Parabéns aos autores. São responsáveis pela excelência no ensino da filosofia.

Este é um manual que merece estar ao lado dos nossos melhores livros.

O manual é publicado com o apoio do Centro para o Ensino da Filosofia da Sociedade Portuguesa de Filosofia.

Rolando Almeida
Publicado em A Filosofia no Ensino Secundário, 19 de Janeiro de 2007.

11.° ano

A Arte de Pensar: 11.° ano

Por que não ir mais longe?

Congratulo os colegas pela ousadia com que apresentam certos problemas no livro Arte de Pensar II, que ainda só vi de relance no site. No entanto, penso que podiam ter ido um pouco mais longe. Parece-me que a vossa apresentação de algumas questões se autolimita demasiado. O vosso texto podia ser mais explicito. Veja-se o caso das leis da natureza. Por que não ser mais específico e apresentar, por exemplo, a sua defesa por Tooley e as objecções de Cartwright, só para citar um caso que constatei nesta minha leitura-relâmpago. Estou com curosidade para ver como é que tratam as questões da filosofia da ciência. Não entendam isto como uma objecção de fundo. Penso que são felizes ao introduzir a visão do conhecimento como crença justificada — por sinal eu tenho vindo a fazer isso já com os meus alunos — e as objecções de Gettier entre nuitas outras coisas. Parabéns.

Fernando Rua
Liceu Pedro Nunes, Lisboa

A especificidade da filosofia

Este manual reintroduz a especificidade da filosofia, apresentando os problemas, teorias e argumentos clássicos e modernos da disciplina com uma clareza que será bem-vinda para os estudantes, e que lhes dará a segurança essencial num primeiro contacto com uma área que frequentemente imaginam como demasiado complexa ou, pior, vaga. Adorava ter estudado por este manual.

Sofia Miguens
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

10.° ano

A Arte de Pensar: 10.° ano, Vol. 1

Nem tudo está perdido

Obviamente, um manual como este só interessa se se está na disposição de ensinar e, simultaneamente, de aprender. Interessa, se se quer pensar. O que nos é apresentado ao longo dos dois volumes é inteiramente coerente com o título do manual. Sobressai como uma constante a abordagem de problemas filosóficos e a par do rigor das explicações, da linguagem clara, deparamo-nos com a originalidade com que certos conteúdos são dados a conhecer. Veja-se como exemplo — Capítulo 4, Determinismo e Liberdade na Acção Humana —, a situação imaginária de alguém que na escola tivesse partido um vidro e que, supostamente, o fez intencionalmente, mas que, junto do director da escola procura desresponsabilizar-se. Entre as justificações do aluno e as intervenções do director, encontramos posições que exprimem quer um determinismo radical, quer um determinismo moderado, quer um indeterminismo.

Ao longo de cada capítulo deparamo-nos com questões de revisão, excelentes porque, sem caírem no simplismo, se pautam pela clareza e pelo rigor. Encontramos ainda problemas que obrigam efectivamente o aluno a pensar. Tomando em consideração teorias e argumentos anteriormente apresentados, o aluno tem oportunidade de pensar por si. A título de mero exemplo, veja-se o segundo problema que é apresentado no volume 2, p. 46 (Capítulo 11, "A Experiência e o Juízo Estéticos").

No final dos capítulos encontramos textos com perguntas precisas, glossários, referências bibliográficas ou sites disponíveis na internet, que possibilitam um estudo complementar.

Uma última nota: as legendas às imagens que surgem no manual são algo a que não se estava habituado, dada a sua adequação ao texto principal.

Clotilde Fernandes
in Filosofia e Educação

A Arte de Pensar: 10.° ano, Vol. 2

Era o que eu queria como aluno

Depois de olhar com atenção para os manuais que teve a gentileza de me enviar, há só uma coisa que posso dizer: os meus parabéns. Espero que eles sejam adoptados nas nossas Escolas, apesar da nossa habitual cegueira, e que contribuam como tão bem podem para ensinar aos jovens... a Arte de Pensar.

Só posso dizer que, como aluno, teria ficado feliz se tivesse manuais como os vossos. Os meus parabéns e que o projecto possa continuar para o 11.º ano; bem o merece e o nosso país bem precisa. As pessoas responsáveis ainda não se convenceram que os verdadeiros problemas educativos entre nós não são as coisas etéreas que preenchem discursos vazios sobre dar as mãos e aprender a aprender, mas sim as coisas mais básicas: maus programas, maus manuais, (alguns) professores sem vocação e com fraca formação científica, poucos ou nenhuns incentivos ao esforço e ao estudo.

Peço-lhe que transmita a minha admiração a todos os autores.

Jorge Buescu
Professor no Instituto Superior Técnico
Autor de O Mistério do Bilhete de Identidade e Outras Histórias (Gradiva, 2001) e Da Falsificação de Euros aos Pequenos Mundos (Gradiva, 2003)

A Arte de Pensar: 10.° ano, Vol. 1

Uma lufada de ar fresco

Este manual para o 10.º ano do Ensino Secundário é uma "lufada de ar fresco" no panorama dos manuais ao dispor no mercado. É um manual inovador de diversos pontos de vista:

Recomendo assim vivamente que todos os docentes tenham a coragem de adoptar o manual "A Arte de Pensar": basta pensar que nada têm a perder e, provavelmente, a experiência vai mostrar que muito têm a ganhar.

Adriana Silva Graça
Professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

A Arte de Pensar: 10.° ano, Vol. 2

Uma aprendizagem efectiva da filosofia

Não há muito a dizer acerca deste manual. É claro, consequente e sóbrio no tratamento dos conteúdos e faz uma descrição adequada do que é a filosofia e dos seus instrumentos e métodos de trabalho. Esta opção inicial, revela-se de grande importância, porque permite respeitar nas unidades restantes a especificidade da filosofia.

Outro aspecto conseguido deste manual é o facto de se centrar nos problemas fundamentais de cada unidade, distinguindo com clareza os problemas e teorias filosóficos das informações adicionais, o que se reflecte tanto na exposição como nas actividades propostas.

Sendo estas condições fundamentais para o ensino da filosofia e tendo sido postas em prática para todos os temas/conteúdos do programa, só existe uma coisa a dizer: estamos diante de um bom manual, que permite uma aprendizagem efectiva da filosofia.

Carlos Alves
in Filosofia e Educação